Relatório da Viagem à Índia e à China.

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A comitiva internacional organizada pela Secretaria de Relações Institucionais da Assembleia Legislativa desembarcou na segunda-feira (28/11) em Nova Delhi, capital da Índia. No primeiro encontro oficial, o grupo conheceu detalhes de um projeto para a expansão do serviço de internet banda larga para áreas de difícil acesso. A tecnologia foi desenvolvida por profissionais da VNL, uma das maiores potências mundiais na área com sede na Índia. A empresa está presente em 52 países espalhados pelos cinco continentes. Vencedora do Prêmio Green Mobile com a melhor iniciativa verde em 2010, a VNL desenvolveu um sistema para tornar a internet mais barata e acessível para quem vive em regiões afastadas. A partir de uma única conexão por fibra ótica o sinal é estendido via wireless para regiões sem cobertura. Para evitar que a instalação de torres para a captação e retransmissão do sinal inviabilizasse o investimento e evitar gastos com energia elérica, a VNL adotou painéis fotovoltaicos para a captação da luz do sol. Uma vez convertida em energia, a luz solar permite reduzir em até 100% os gastos com a manutenção do sistema. Um projeto piloto foi desenvolvido para a cidade de Águas Mornas, em Santa Catarina. O município pertence à região da Grande Florianópolis e não dispõe de cobertura.

 

Para conferir a aplicação da tecnologia, a missão catarinense da Assembleia Legislativa visitou o vilarejo de Kheri na zona rural do Estado de Ragesthan, há 85km da capital Nova Delhi. A localidade tem cerca de 2200 habitantes que se dedicam à lavoura e à criação de animais. Para chegar à vila é preciso enfrentar alguns quilômetros de estrada de chão. Mas as vielas estreitas que ligam a cidade ao campo se abriram para o mundo com a ajuda da tecnologia. Há cerca de dois anos antenas de retransmissão passaram a fazer parte da paisagem. Graças a elas, a comunidade local tem sinal de celular e acesso à internet banda larga. Uma das antenas fica no topo da escola primária de Kheri. A unidade de uma só sala não tem lousa nem cadeiras, apenas um computador usado pelos dois únicos professores para transmitir conhecimento às 150 crianças da comunidade que freqüentam da primeira a quinta série. O modelo foi adotado em centenas de comunidades da Índia, além de países como Uganda, Bolívia, Nepal e Butão. Em Santa Catarina, o sistema pode viabilizar a telecomunicação em banda larga com eficiência e qualidade para as comunidades mais interioranas.

 

O último dia de compromissos da comitiva internacional da Assembleia em Nova Delhi começou com a visita a uma das empresas mais conceituadas da Índia quando o assunto é o desenvolvimento de soluções tecnológicas para minimizar impactos ambientais. A Thermax tem negócios em 75 países e desenvolve projetos para empresas dos mais variados seguimentos como gás, óleo e petróleo. Outra área onde a Thermax investe é a de águas e saneamento. A tecnologia oferecida pode ser a solução para problemas como o da Lagoa da Conceição, em Florianópolis, já que o desafio é chegar ao nível zero de poluição. O sistema permite uma redução de custos de pelo menos um décimo e uma redução de energia de 25%, se comparado às tecnologias convencionais. Outra iniciativa que ganhou a simpatia dos integrantes da missão foi o projeto Hole-in-the-Wall, em português, buraco no muro. O trabalho começou em 1999 quando um computador adaptado foi instalado num buraco aberto no muro desta companhia. A idéia partiu do princípio de que qualquer um, independente da condição social, teria a chance de se apropriar dessa tecnologia. Os números comprovam o sucesso: a cada ano a organização garante acesso a 90 mil novos usuários em localidades como Ruanda, Butão e Camboja. O mais surpreendente é que todos aprendem sozinhos.

 

No dia seguinte, a comitiva participou da abertura do primeiro Fórum das Cidades Irmãs e Governos Locais dos BRICS. O evento reuniu representantes e autoridades do Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul que lotaram o auditório do Hotel Sheraton, em Sanya, na China. Um dos painéis contou com a participação direta da delegação brasileira que tratou de temas relacionados ao meio ambiente, mudanças climáticas e energias renováveis. O deputado licenciado Jailson Lima, do PT, que viajou com recursos próprios e se juntou à comitiva internacional da Assembleia em visita à China, falou das ações desenvolvidas no Brasil e em Santa Catarina. Entre as medidas, destaque para a produção de energia eólica e solar como alternativas para o atual modelo energético. O encontro, que durou dois dias, terminou com a assinatura da Declaração de Sanya, onde os países que fazem parte dos BRICS assumem uma série de compromissos para o fortalecimento do grupo. Entre eles, o desenvolvimento comum dos países membros através da solidariedade, abertura e assistência mútua; a adoção de um sistema de cooperação entre as cidades e a realização de uma segunda edição do evento em 2012. O encontro será em Nova Delhi, a capital da Índia.

 

Na China, a comitiva internacional também conheceu iniciativas na área da mineração. A primeira delas foi a da Companhia de Maquinário para Minas de Carvão de Pingdingshan, cidade vizinha a Zhengzhou, capital da província de Henan. A empresa é referência na produção de macacos hidráulicos para sustentação das minas e exploração do carvão mineral. O grupo é formado por quase 580 técnicos e três mil funcionários. A capacidade anual de produção  da empresa é de aproximadamente 10 mil equipamentos ao ano. A empresa detém a patente do macado hidráulico com a maior pressão do mundo. O equipamento é capaz de sustentar cerca de quatro mil toneladas. Outro empreendimento visitado pela missão foi a Companhia de Geração de Energia de Pingdingshan. O complexo, que entrou em operação em 2010, levou dois anos para ser construído e durante mais dois passou por uma série de testes. A tecnologia é inteiramente chinesa. O investimento aportado foi o equivalente a R$ 2 bilhões. Um dos pontos que chamaram a atenção da comitiva foi o percentual de eficiência energética, ou seja, o aproveitamento da energia do carvão para a geração de energia elétrica/ Enquanto a Usina Jorge Lacerda, no Sul do Estado, aproveita 35% dessa energia, a de Pingdingshan, na China, chega a 48%. A companhia também faz um controle rigoroso da poluição gerada. Por determinação do governo chinês, complexos como o de Pingdingshan passsam por um controle rigoroso no que se refere à emissão de gases. A empresa já se adequou à lei que limita a emissão de partículas em até 30 miligramas por metro cúbico e que só deve entrar em vigor em 2012.

 

Já na Companhia de Maquinaria de Minas de Carvão de Zhengzhou, na capital da província de Henan, o interesse foi pela utilização de mineradores contínuos. O equipamento permite a retirada total da camada de carvão, situada em grandes profundidades. Como no Brasil a camada do minério é mais superficial, o modelo chinês poderia causar danos ao solo e até mesmo aos mananciais de água. A boa notícia é que a empresa dispõe de profissionais para visitar o local da extração e adequar a tecnologia às características da região. Outra tecnologia que chamou a atenção da comitiva é a que permite a criação de subprodutos do carvão. Além da exploração e queima para a geração de energia elétrica, o Grupo de Carvão e Indústria Química de Henan desenvolve mais de 20 subprodutos a partir do minério. A criação de subprodutos poderia ser uma alternativa para Santa Catarina que hoje explora apenas três deles: o Coque e o Cardiff, utilizados na indústria de fundição, e o carvão ativado para o tratamento de água. Ainda em Henan, a comitiva visitou o hospital da província, fundado em 1904. O grupo foi recebido pelo corpo clínico que deu detalhes do trabalho desenvolvido. A unidade é a maior Henan e uma das cem melhores do país. Dispõe de três mil leitos, 62 especialidades médicas e 20 institutos de pesquisa que mantêm intercâmbio com hospitais da França, Japão, Austrália e Estados Unidos. A visita da comitiva reafirma o protocolo de intenções assinado em novembro deste ano entre o Hospital de Henan e o Hospital Universitário, em Florianópolis. O acordo prevê que médicos e estudantes de medicina da China prestem atendimento em Santa Catarina e virce-versa.

 

Em Pequim, o grupo conheceu o trabalho desenvolvido pela Apex – a Agência Brasileira de Promoção de Exportações e Investimentos – que promove a exportação de produtos e serviços, apóia a internacionalização das empresas e atrai investimentos estrangeiros para o país. A Agência está presente em sete nações além do Brasil, entre elas a China. Para receber apoio da Agência, a empresa tem que ser genuinamente brasileira e possuir registro no país. É a Apex quem avalia as condições de exportação dos produtos para o mercado chinês. Desde que foi instalada na China, em 2009, a Agência já viabilizou a instalação de oito empresas de diferentes setores. Das que continuam recebendo assessoria, uma é a Audaces, de Florianópolis, que atua no desenvolvimento de softwares para a indústria de confecções. A Apex também vem prestando assessoria ao Estado da Bahia que tem que como meta atrair investimentos para o segmento agropecuário. A iniciativa abre um novo nicho de mercado para exportar produtos industrializados em Santa Catarina para o mercado chinês.

A comitiva aproveitou os últimos dias de agenda para conhecer a fábrica de uma gigante brasileira que ganhou o mercado chinês na produção de compressores para eletrodomésticos e equipamentos de uso comercial. A Embraco começou a exportar produtos para a China em 1986. Em 1995, o país ganhou a primeira sucursal da empresa com um total de 1200 colaboradores. Hoje, a Embraco tem o dobro do número de funcionários, 43 engenheiros e uma produção anual de 8,5 milhões de compressores. Parte do apoio para a concretização de negócios com a China vem da embaixada brasileira que em vez da importação da tecnologia chinesa defende a promoção comercial e a abertura de canais para empresas do Brasil. Para a ministra conselheira Tatiana Rosito, competir no concorrido mercado chinês dá aos empresários brasileiros know-how suficiente para disputar outros mercados. O grupo conheceu ainda a Associação de Amizade Chino-Latinoamericana e Caribenha. A entidade tem 50 anos e sucursais espalhadas pelas principais províncias da China. O trabalho começou entre as cidades chinesas, mas acabou ganhando repercussão internacional a partir do momento em que passou a envolver cidades irmãs em outros países. O presidente da Associação elogiou a iniciativa pioneira da Assembleia Legislativa que se prepara para oferecer cursos de mandarim à população do Estado.

 

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Um comentário

  1. domingo comin disse:

    senjor deputado sou filho do italiano mario comin neto do italiano clemente comin gostaria de saber se samos parenes sabendo quen era teu nono eteu bisnono moro em chapeco en suas visita a cidade gostaria en conheserlo pesoalmente un abraso domingo comin

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